domingo, 4 de março de 2007

Vagueio por palavras perdidas no ar...


Vagueio todos os dias nas mesmas palavras…palavras essas que se perdem
no ar! “Olá! Tudo bem?” são frases que repito vezes sem conta ao longo
do dia, da semana, do mês, do ano, da vida… mas quantas vezes espero eu
pela resposta?! Na verdade passo a vida a ser hipócrita, a fingir que
me preocupo com os outros quando no final nem sei como estão! Mas serei
só eu?NÃO !!! Será assim tão difícil dispendermos 5 minutos para saber
se aquela pessoa com quem nos cruzamos diariamente estará realmente
bem?! E quantas vezes não digo eu “Sim, ta tudo bem!” quando nem pensei
na resposta e na verdade está mesmo tudo mal! Enfim… perdemos mais de 5
minutos a olhar diariamente para uma caixinha magica e esquecemo-nos
de olhar 5 minutos para aquela pessoa que tantas vezes nos passa
literalmente ao lado! Tenho saudades do tempo de criança em que
realmente nos preocupávamos uns com os outros… em que não conseguíamos
ver ninguém triste e em que ninguém tinha coragem de ficar triste junto
de nós, do tempo em que havia paciência para nos explicarem o que era
simples… agora já ninguém tem paciência para nos explicar seja o que
for… como por exemplo o amor! Talvez as coisas deixem de ter
explicação, ou talvez sejam apenas os sentimentos que não se expliquem!
Se eu perguntar o que é o amor ao meu irmão que tem apenas 9 anos ele
provavelmente responder-me-á que o amor é o carinho que sente pela mãe,
pelo pai, pela mana, pelosavós, pelo cão, pelo periquito, pelo hamster, pelos amigos, pela Carolina
,…enfim…a verdade é que muito mais facilmente ele sabe o que ama do que
qualquer um de nós que nem sabe o que o outro sente! Como poderemos nós
amar alguém quando nos fechamos num quotidiano apressado que se recusa
a dar espaço à imaginação? Tenho saudades do tempo em que me escondiam
as folhas porque passava o tempo a desenhar, saudade do tempo em que me
escondiam o piano para não tocar às 7h da manha, saudades do tempo em
que ralhavam comigo por saltitar nas poças de agua, saudades do tempo
em que tinha tempo para olhar para as nuvens, saudades do tempo de
criança em que a imaginação era uma virtude…HOJE…a imaginação é o meio
que me leva a abstrair de tudo, que me desconcentra, que rapidamente me
absorve no estudo, na leitura, que me impede de adormecer em mim
própria e me deixa guiar o meu sonho! Prometo que me vou preocupar mais
em ouvir as respostas e que vou estar atenta ao olhar do outro!
Continuarei a vaguear mas desta vez com o olhar…

"É quando nos esquecemos de nós mesmos que fazemos coisas que merecem ser recordadas!"



Há felizes coincidências e pequenos momentos que nos fazem sentir ainda mais pequenos! Este senhor que aparece na foto (e não é a estátua) proporcionou-me momentos mágicos e pensamentos profundos! Tudo começou numa brincadeira em que as minhas amigas começaram com o "Aposto que não és capaz de te ir sentar ali ao pé daquele sr!"...e claro,eu, orgulhosa como sou não perdi tempo e logo me fui sentar ao lado do senhor! Elas riam-se perdidamente e eu ali...sentada...completamente corada...sem saber o que fazer a pedir para que não passasse muita gente...já que facilmente era motivo de gozo! Depressa eu e o sr começámos a conversar...conversámos...conversámos...as minhas amigas foram embora...conversámos...as pessoas passavam...conversámos...eu ouvia...ouvia...simplesmente ouvia...o senhor era meio surdo e na maioria das vezes que eu dizia algo ele não ouvia...portanto eu apenas me limitava a ouvir...a pensar...a orgulhar-me de uma pessoa que conhecia há 5 minutos...admirava a vontade que alguém podia ter em falar...admirava o olhar quente depois de ouvir uma historia tão fria...admirava a esperança em algo completamente perdido...uma neta drogada...um desespero...um futuro perdido por um passado que não deveria ter acontecido...depressa dei mais valor à minha vida...como é que alguém poderia dizer que eu era incapaz de me sentar ao lado de alguém tão "grandioso"...percebi que era uma sortuda por ter sido alvo de uma aposta...continuei a ouvir...o sol batia-nos...era como se nos iluminasse por alguma razao...o vento soprava forte mas não me atingia...aquela estátua...aquela vida protegia-me...uma vida em Angola...uma filha maltratada...ele proprio agredido...mas sobretudo a experiência...quem diria?...será que alguém se sentaria numa estatua por mim?...será que eu própria me sentaria naquela estátua por alguém? Continuo a vaguear em busca da minha propria estátua, da minha oportunidade de que alguém também se admire com a minha historia, nem que seja o pequeno ponto que ainda não encontrei...

sábado, 3 de março de 2007

Vagueando por palavras perdidas no tempo...

Após um dia sem sentido...após momentos perdidos...após conversas achadas e ideias criadas eis que nasce em mim a vontade de vaguear! Peguei nas chaves de casa coloquei-as no bolso direito do meu casaco branco e saí porta fora em busca do sentido, do acaso e do destino! Eram quase sete da tarde, o frio instalara-se em plena avenida e as pessoas eram escassas ao contrário do que acontece durante a maioria dos dias da semana! Num compasso apressado por dentro e lento por fora, olhar fixo no horizonte e pensamento perdido num ponto procuro incessantemente partindo desse ponto desenhar uma linha recta! Procuro...procuro...procuro...ESPERA...afinal procuro algo...vagueio numa procura que me descobre a alma...que me faz despir perante o mundo e me faz esconder perante um ponto! Um ponto, um pequeno ponto insignificante para o Mundo que se pode tornar num destino, num infinito, num desenho, num elemento, num objectivo, num fim, num sonho, em nada, em tudo para mim!
Chego ao cimo da rua e surge a minha primeira dúvida "Direita ou esquerda?" ...rapidamente me decido a seguir em frente uma vez que não tenho qualquer tipo de objectivo além da procura de algo que não devo...portanto...sigo em linha recta! É então que descubro a monotonia...farta de ver um mesmo pano de fundo decido virar à esquerda na próxima esquina! Continuo a vaguear...vagueio em pensamentos...rapidamente me esbato na paisagem...me sinto uma casa, uma rua, uma árvore, uma criança, uma pedra...uma pedra NÃO! Estou demasiado envolvida num sentimento para que me possa confundir com uma pedra...uma pedra dura! Estou demasiado mole, sensível, flutuante, leve...vagueio voando entao...vagueio, voo, vagueio... Continuo o meu caminho por ruas rectas e curvas, por ruas curtas e longas, por ruas bonitas e feias...e por apenas ruas! Continuo sem encontrar o meu ponto mas pelo menos já me livrei da monotonia! Quando encontrar o meu ponto vou-lhe dizer que quero fazer uma linha...mas uma linha curva até ao infinito e prometer-lhe-ei que a seguirei qualquer que seja o seu desenho! Entretanto continuarei à procura do meu ponto...